Por:
Maria Zilda Oliveira
Estar com alguém e ao mesmo tempo não estar.
Essa é um das consequências dos tempos modernos. Acordar e ter como primeira
tarefa do dia checar as novidades no celular. Estar num encontro com amigos em
que conversas olho no olho estão cada vez mais raras, em que cada um se isola
no seu facebook, instagram ou novo aplicativo. Passear na praia, assistir a um
show, comemorar um aniversário e perceber que todos têm que estar conectados
aos aparelhos e não as pessoas. Isso é o que o curta-metragem “I forgot my phone” apresenta.O curta,
postado no Youtube, já foi visto por
mais de 47 milhões de pessoas que por meio de seus comentários ao vídeo afirmam
que essa rotina “fictícia” não é tão incomum atualmente.
A
empresa Google lançou, há poucos anos, a pesquisa: “Nosso planeta mobile: Brasil, como entender o usuário
do celular”. A pesquisa revelou que os smartphones se tornaram indispensáveis
no cotidiano dos brasileiros. A propagação dos smartphones atinge 14% da população e esses usuários dependem cada
vez mais de seus dispositivos. 73%
acessam a Internet todos os dias no smartphone
e muitos nunca saem de casa sem ele. Os números apresentados na pesquisa
revelam o uso excessivo desses aparelhos, uma das consequências negativas disso
é a Nomofobia - termo que vem do inglês “no
mobile” –, ou seja, o medo exagerado de ficar sem o celular.
A
Nomofobia virou objeto de estudo da pesquisadora Ana Lúcia Spear King do
Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em
entrevista ao jornal O Globo, ela afirma que a linha que separa o uso do abuso é tênue. Mesmo que se use
muito o celular, isso não caracteriza o vício. Na dependência patológica, o uso
excessivo está ligado a um transtorno de ansiedade, como pânico ou fobia
social.
A especialista, pioneira do estudo no
país, lembra que esta fobia não é exclusiva para dependentes do uso de celular.
“Quando surge uma nova tecnologia, ela afeta o comportamento das pessoas.
Aquele aparelho provoca uma mudança e temos que nos adaptar”, informa Anna
Lúcia.
O Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB) atende a pessoas que
sofrem dessa fobia. O tratamento é feito por meio de sessões de terapia
comportamental em que os profissionais gradualmente induzem os sintomas que
provocam medo nos pacientes e demonstram que são inofensivos. Com a popularização dos smartphones,
o problema tende a crescer, pois quanto mais interativo é o aparelho maior é o
potencial de dependência. O coordenador do Grupo de
Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas
de São Paulo, Cristiano Nabuco de Abreu dá o alerta: A dependência pela
tecnologia é comportamental, as outras são químicas, mas ela causa o mesmo desgaste
na ponta do neurônio que as drogas.

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