Yuri Vasconcellos pode ser definido como um artista completo, trabalha com teatro, artes plásticas, produção cultural, poesia e música. Com 38 anos,
ele é Superintendente de Espaços Culturais na Secretaria de Cultura de
Cabo Frio e Diretor Artístico do Festival de Esquetes (FESQ) que
acontece anualmente na cidade. Yuri defende a liberdade artística e afirma sempre que está disposto a novos desafios, desde que despertem sua curiosidade. O artista nasceu no Rio de Janeiro e com dois anos veio morar em Cabo Frio. Sendo cabofriense de coração, cresceu correndo nas dunas, curtindo a Praia do Forte e estudando no Colégio Estadual Miguel Couto.
Notícias 3D: O que te fez se apaixonar pela arte?
Yuri Vasconcellos: Meu pai é artista plástico e sempre deu liberdade pros filhos fazerem o que quiserem. A forma que fui educado por ele, junto aos muitos livros da minha mãe e as bagunças de meus irmãos, me deram a inspiração pra conhecer, mergulhar e amar desde a infância a Arte.
3D: Como começou a trabalhar como artista? Sempre teve o meio artístico como fonte de renda ou já exerceu outras atividades profissionais?
YV: Comecei desenhando loucamente, era minha brincadeira favorita e antes dos 18 anos já vendia uns quadros, desenhos, bolava logomarcas e etc. Decidi entrar pra Escola de Belas Artes da UFRJ e me graduar em Pintura. Para viver no Rio de Janeiro precisei trabalhar ainda mais,
diversificando e fazendo de tudo pra criar e recriar formas de ser
feliz com a produção artística e sobreviver com ela. Fiz pinturas em
camisetas, exposições de quadros, tatuagens temporárias pra desfiles, TV e comerciais. Depois veio o teatro, a música, a poesia... Foi tudo me consumindo e nos últimos 20 anos, vivi exclusivamente da minha arte. Autônomo, sem salários sempre enfrentei o desafio de pagar as contas com o que ganharia em cada dia. Só agora, trabalhando na Prefeitura de Cabo Frio pela Secretaria de Cultura, que descobri o que é salário, mas não me apego, não sou de rotinas, quero
criar cada vez mais. Os cargos são bacanas, atuar dentro de um governo
possibilita fazer o máximo pra democratizar o acesso aos bens culturais e
tudo mais, só que os cargos passam, enquanto a arte permanecerá por
toda minha vida!
3D: Como foram suas escolhas acadêmicas e como e é estudar arte?

YV: Esse assunto de "academia" é meio confuso pra mim, porque quem forma o artista é a vida. A academia e os cursos são meios de encontrar pessoas, conhecimentos ou técnicas, mas não considero essencial esse formato socialmente imposto de formação acadêmica. Sou fã do “notório saber”, quando as academias são obrigadas a se dobrar, reconhecendo que muitos que não sentaram em suas cadeiras são tão "formados" quanto os acadêmicos. Fiz Belas Artes na UFRJ (saí antes de terminar) e fui pra UFMG fazer Artes (saí antes de terminar). Voltei para o Rio, mudei algumas vezes de cidade, fiz e conclui o Curso Técnico de Interpretação no Centro de Formação Artística de Rio das Ostras, depois estudei Turismo no CEDERJ (curso bacana, mas não terminei) e atualmente estou matriculado em Pedagogia no CEDERJ. Fora os inúmeros workshops e oficinas de Arte que participei. Amo estudar, mas não amo a academia!
3D: Alguns dos projetos e trabalhos que participou ajudaram a desenvolver a cultura local? Quais e como?
YV: Fiz e faço parte de muitos projetos culturais, pois sempre curti protagonizar, atuar de frente, pôr a mão na massa e fazer a diferença. Nesse quesito, destaco três projetos que pertencem à minha história e ao meu coração:
Destaco primeiramente a Associação Cultural Tributo à Arte e à Liberdade (TribAL), que atua há mais de 10 anos na cidade, fundada por mim e um grupo de amigos artistas. Criamos um meio de emitir nossas notas fiscais e receber o justo pelos trabalhos, de realizar apresentações que titulamos de Noites Culturais, com qualidade artística pelas ruas do munícipio. Hoje, TribAL é referência na região e Ponto de Cultura do Governo Federal há 3 anos.
O segundo exemplo é o FESQ, idealizado pelo meu amigo/irmão Pablo Alvarez. Abracei a ideia desde o início e estamos há 13 anos realizando com a ajuda de muitos parceiros, centenas de pessoas que colaboram para que o festival se torna-se o que é hoje, sucesso nacional.
Tem também o Curso Livre do Teatro Municipal de Cabo Frio (OFICENA), que pude idealizar, como Diretor do Teatro Municipal, com o apoio dos artistas Jiddu Saldanha e Ítalo Moreira. Um projeto oferece curso gratuito e busca essa democratização ao acesso e formação na arte e cultura. São mais de dois anos de muitos alunos, espetáculos com textos e direção dos próprios alunos e muitas outras atividades.
3D: Enfrentou dificuldades ou preconceitos?
YV: Com certeza, dificuldades até hoje, afinal a cultura e a arte são subvalorizadas pelos governos e empresas. Não existem ainda políticas públicas coesas e permanentes de apoio e fomento à produção artística, tanto em âmbito federal, estadual ou municipal (faço ressalva quanto ao PROEDI - implementado há dois anos em Cabo Frio, um programa de editais públicos pra incentivo dos artistas, que mesmo ainda em fase de adequação já é um salto nesse assunto, e precisa ser valorizado). Quanto às empresas, é vergonhoso ver que são raras aquelas que apoiam e investem na arte.Já o preconceito vem com a questão de que "com Arte não se ganha dinheiro", ou "quem faz Arte é vagabundo". Quem faz da arte seu sustento, sabe que deve trabalhar duro, mas trabalhamos com prazer. Nem levo em consideração essas afirmações preconceituosas.

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