Por Amanda Domingues
Devido
a um histórico de falta de oportunidades para aprimoramento acadêmico e
profissional, muitas mulheres acabam desistindo de alguns cursos ao ingressar
na Universidade, tornado assim algumas profissões conhecidas como quase
exclusivamente masculinas. Uma das conseqüências disso é a perpetuação de que
algumas profissões – em especial aquelas que envolvam ciências exatas – são profissões
masculinas.
Essa
ideia é consequência de questões culturais enraizadas na sociedade.
Convencionou-se afirmar que mulheres não são boas em contas e, portanto não
seriam boas profissionais em campos como Física, Matemática, Química e afins.
De
acordo com a física Juliana Paukowski , a maior dificuldade é para ser ouvida.
“Você tem sempre que ficar provando que 'merece' estar ali, mesmo quando faz 3
vezes mais do que qualquer colega homem. Essas estatísticas podem ser vistas na
página http://www.if.ufrgs.br/~barbosa/gender.html,
no qual há uma lista de publicações realizadas por mulheres no campo da física”,
afirma Juliana.
Muitas cientistas apontam que o fato de serem
mulheres é colocado como empecilho para seguirem determinadas carreiras
acadêmicas, por exemplo, pois é esperado socialmente de mulheres que elas se
dediquem à maternidade, ou ao lar. “Uma mulher pode ser interessar pela área,
mas quando entra na faculdade, ouve o tempo todo que o lugar dela não é ali e
que ela deveria estar cozinhando. Eu já ouvi isso durante uma aula de Física
Quântica. Aí vê que as professoras não conseguem progredir tanto quanto os
professores na área de pesquisa, mesmo produzindo a mesma quantidade de textos
ou mais, em revistas com mais impacto” ,afirmou Juliana.
Isso,
porém, está cada vez mais, sendo superado por mulheres cientistas que, não se
deixando parar por discriminação e se destacando em seus campos. Um recente
exemplo é a capixaba Carolina Lima Guimarães, a campeã da Olimpíada Brasileira
de Astronomia e Astronáutica (OBA) que foi notícia por ser a primeira
classificada para participar da IX Olimpíada Internacional de Astronomia e
Astrofísica (IX IOAA), que neste ano acontecerá na Indon.
Outro
destaque é Mariana Vasconcelos, de 23 anos, formada em Administração, voltada
para a inovação, pela Universidade Federal de Itajubá (Unifei). Ela criou um
projeto para reduzir o desperdício de água em agronegócios. Seu projeto recebeu
um prêmio de uma bolsa de estudos para o Graduate Studies Program (GSP) 2015,
da Singularity University, que fica dentro de uma base de pesquisa da NASA no
Vale do Silício e tem cursos focados em inovação, para prosseguir seus estudos.
Essa
mudança é observada por Carolina Bizerra, biomédica e mestranda em Farmacologia,
que aponta que as mulheres têm alcançado seu lugar. “Em alguns laboratórios, a
maioria é de mulheres. Esse perfil é mais atual, a maioria dos professores mais
antigos – idosos e com mais tempo de academia é de homens, arcaicos e machistas”,
afirma.


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