Por Marina Christovam
A Lei Menino Bernardo, que em junho deste ano completa um ano em
vigor, visa proibir o uso de castigos físicos ou tratamentos cruéis ou
degradantes na educação de crianças e adolescentes. Porém ainda há muitas
duvidas e mal entendidos quanto ao seu conteúdo. Apesar de também ser conhecida
como Lei da Palmada, ela não proíbe exatamente a palmada, uma vez que o termo
nem é citado no corpo do texto da lei. A pesquisadora da Lei, Elisangela de
Lima defende que é preciso desmistificar a ideia de que o pai que der uma
palmada em seu filho será punido pela lei. “Se essa palmada que o pai dá em seu
filho vier acompanhado de um discurso de moral, de educação e assertivo, ele
não será punido, o que vai ser levado em consideração é o que ele está levando
para essa criança.” A lei fala em sofrimento físico e psicológico, os pais que
infringirem esse limite sim, serão punidos.
A assistente social Lucinéia da Câmara explica quais são as
punições aos pais e qual tratamento é oferecido às crianças e jovens, vitimas
de violência. “Os pais são notificados a comparecer no conselho tutelar, eles
são advertidos, são feitas as orientações e essas famílias são encaminhas para
acompanhamento psicológico. Lembrando que o Conselho não é órgão punitivo, os
casos mais graves são encaminhados ao Ministério Publico.” A lei prevê ainda
multa de três a 20 salários mínimos para
médicos, professores e agentes públicos que tiverem conhecimento de agressões a
crianças e adolescentes e não denunciarem às autoridades.
A opinião de muitos pais é a de que agora o Estado interfere em
assuntos privados, como a educação das crianças dentro de casa, por isso muitos
são contrários a Lei. Outro ponto contestado pelos pais é a educação que eles
próprios receberam. A funcionária publica Rita de Cassia Couto explica seu
ponto de vista. “Não sou a favor do termo "Lei da Palmada", pois eu e
meus irmãos e primos levamos "palmadas" quando criança. Não nos
traumatizamos, e creio que essas "palmadas" fizeram despertar em nós
limites, que hoje não vemos nas crianças... Penso numa distância bem grande
entre "palmada" e agressão.”.
Para Felipe Borges, advogado e professor do curso de Serviço
Social da Universidade Veiga de Almeida, esse é um pensamento que está presente
na cultura brasileira. “Não é fácil conscientizar, não é fácil desconstruir
valores, implantar uma nova visão, novas concepções.” E alerta que é uma
obrigação muito mais que legal, mas principalmente social e moral, de pessoas que
saibam ou presenciem casos de violência contra a criança ou adolescente,
denunciarem as autoridades. “A pessoa que sabe de casos de violência e não
denuncia, é cumplice de quem os pratica.”
A secretária administrativa Rafaela Oliveira, entende que cada
caso deve ser analisado individualmente. “Não posso julgar. Sei que há muitos
casos de pais que extrapolam, Mas não podemos generalizar. Eu, por exemplo, não
sou totalmente a favor da lei porque eu procuro ensinar sem bater, conversar e
educar da melhor forma, mas acho que é necessário sim umas palmadas e puxões de
orelha. Estamos vivendo em uma época onde as crianças têm se voltado contra os
pais cada vez mais novos, se acham independentes e donas de si, aprendem muita
coisa errada com a mídia e não são apenas conversas que resolvem certas
situações.”

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