Maria Zilda Oliveira
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Ninguém vai a uma festa descontraída com os amigos vestindo roupas
de alta costura. O mesmo ocorre quando se trata da língua portuguesa
falada no cotidiano. A forma com que as pessoas falam o português em
conversas informais, trabalho e reuniões profissionais ou familiares
variam. Na série "A língua que a gente fala", exibida recentemente pelo
Jornal Hoje da Rede Globo, as reportagens apresentam um português
carregado de regionalismo e peculiaridades que muitos desconheciam.
"O Brasil se torna múltiplo quando ouvimos o paulista que fala “nóis
vai”, interioranos que dizem “nós falemos”, mineiro que some com a
concordância do plural e rapper que simplifica propositalmente só para
não mudar a rima. Cientificamente falar só é errado quando a outra
pessoa não compreende, no mais não há erro ou acerto.", afirma Ataliba
Castilho, linguista da Universidade de São Paulo e autor da primeira
gramática do português brasileiro, em entrevista ao JH.
Sobre a
importância de se abordar o tema, a professora universitária Mônica
Cabral diz achar necessário, porque as pessoas têm sempre a ideia de que
elas podem falar do jeito que acham certo em qualquer situação. E
quando essas reportagens são apresentadas, elas geralmente localizam o
telespectador em relação ao mercado profissional, as situações em que
podem passar algum tipo de constrangimento ou mesmo fazer outras pessoas
passarem. Trazer essas informações para o público que é leigo incentiva
o pensar na língua como múltipla função, cada hora sendo usada de um
jeito.
Para o estudante Bruno Moura, se a forma com que a pessoa
fala é errada isso pode dificultar um novo relacionamento, tornando o
posicionamento de alguém ao falar um fator determinante nas relações
sociais. Já a professora Elidiane Fonseca, ressalta que na descontração a
pessoa tem uma forma de falar que no trabalho talvez não possa ser
utilizada, pois não favoreceria a imagem profissional.
O “é nóis”
já está inserido no cotidiano de muita gente e segundo o rapper
Emicida, é uma ideologia que surgiu nas ruas para enfatizar a ideia do
“tamo junto”. "Adequar a norma culta ao tempo musical às vezes pode matar
o verso.", afirma ele em entrevista a série. Os especialistas ressaltam a
importância de usar a gramática na hora certa, afinal, a língua
portuguesa é viva e está sempre em constante modificação.
Cabo Frio sediou recentemente o 1º Encontro Internacional de Capoeira
‘Ao som do berimbau’, realizado pelo grupo Capoeira Brasil, o objetivo
do evento é divulgar a cultura afro-brasileira e o esporte, além de
promover a integração dos participantes. Nesse encontro, muitos
estrangeiros estiveram entre os brasileiros como praticantes do esporte e
além da música, havia outra característica em comum entre eles: a
língua portuguesa brasileira.
“Quando estamos em uma roda de
capoeira, todos, sendo brasileiros ou não, cantamos as músicas em
português, o que acaba se tornando um grande difusor da língua”, afirma o
argentino Carlos Ernesto Guevara, que visita a cidade pela primeira
vez.
O grupo Capoeira Brasil tem núcleos em vários países do
mundo, o que está difundindo a cultura e isso é uma grande conquista.
Para um dos organizadores do evento, Wellington Bueno, os visitantes
estrangeiros falam o português fluentemente por conta da capoeira. Ele
afirma que o grupo conta com a participação de capoeiristas de vários
países, como por exemplo, Argentina, Suíça, Estados Unidos e todos eles
aprenderam o português brasileiro através da cultura do esporte.

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