Jullyana Martins
No último dia 17, a cidade de Macaé, no interior
do Rio de Janeiro, deu um passo para aumentar a segurança da mulher. Os
vereadores do município votaram a favor do Projeto de Lei (PL) 30/2014, que autoriza
as paradas dos ônibus municipais fora dos pontos regulares após às 21h. A
medida tem o objetivo de proteger a mulher e encurtar o caminho até sua
residência em horários considerados perigosos e mais propícios à assaltos, por
exemplo.
O projeto, de autoria do vereador
Igor Sardinha (PT), havia sido rejeitado pelo Executivo, mas os vereadores da
cidade se reuniram em uma sessão ordinária e derrubaram o veto. De acordo com o
projeto, os veículos seguirão o mesmo itinerário, desta forma não afetarão os
cofres públicos. Segundo Sardinha, as paradas deverão ser feitas em locais que
não afetem a segurança de motoristas e pedestres e não atrapalhem o trânsito. "É
uma conquista e uma facilidade para as mulheres macaenses, um presente no mês
delas", afirma o vereador.
Outras cidades no país, como o
Distrito Federal e Cascavel, no Paraná, já adotaram a medida há mais tempo. “É
importante que as autoridades garantam a segurança das mulheres na volta para
suas casas. As maiores incidências de roubo e violência sexual ocorrem durante
o período noturno. Diminuindo o caminho entre a parada e a residência, a
probabilidade da mulher sofrer algum tipo de violência torna-se menor”, explica
a advogada Cristiane Lopes, que atua na luta pelos direitos das mulheres.
Em Cabo Frio e outras cidades da
Região dos Lagos, a medida ainda não foi adotada. Para a recepcionista Amanda
Soares, moradora da cidade de Búzios, o projeto facilitaria sua volta para
casa. “Trabalho no turno da noite e saio da empresa às 23h. Como faço todo o
trajeto sozinha e o ponto fica distante da minha casa, fico muito apreensiva.
Se o projeto fosse aprovado na região, eu acredito que as mulheres teriam mais
segurança”, desabafa a recepcionista.
A principal empresa da região,
Salineira, além de ainda não ter adotado a medida, retira alguns ônibus de
circulação à noite, dificultando a volta de passageiros para suas residências. O
estudante Gustavo Ferreira defende que o projeto, se aprovado na região,
deveria beneficiar a todos. “Depois de um certo horário, meu ônibus para de
circular e eu preciso pegar outro e andar mais até chegar em casa. Assaltos
acontecem com qualquer um, independente do gênero”, finaliza Gustavo.

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