Em mais um avanço importante no desenvolvimento de tecnologias de
interface cérebro-máquina (ICM), voltadas para a reabilitação de pessoas
lesionadas, pesquisadores europeus criaram uma prótese manual capaz de
“conversar” com o sistema nervoso. A pesquisa publicada na revista
Science Translational Medicine, produziu um membro capaz de abrir e
fechar os dedos, que transmitia informações em tempo real ao cérebro, da
mesma forma que a mão biológica.
A prótese foi equipada com
sensores nas pontas dos dedos e conectada ao sistema nervoso do paciente
por meio de eletrodos implantados cirurgicamente em dois nervos
preservados do antebraço. Dessa maneira, a mão biônica é capaz de trocar
informações táteis e motoras com o cérebro através de um sistema
bidirecional.
Os sinais eletrônicos captados pelos sensores nos
dedos são “traduzidos” por um computador externo e retransmitidos para o
sistema nervoso na forma de impulsos elétricos que o cérebro consegue
entender como informações táteis. Assim, a pessoa consegue tocar o
objeto e identificar o formato, tamanho e a consistência. O cérebro,
então, envia os comandos necessários de volta para os nervos do braço,
ordenando à mão que ajuste a intensidade da força ao segurar determinado
objeto.
Segundo o neurocirurgião brasileiro, Fabrizio Borges
Scardino, esses impulsos nervosos que voltam do cérebro são captados por
eletrodos na pele que registram a atividade elétrica dos músculos na
parte remanescente do braço. “Esses impulsos são decodificados por um
sistema exixtente na prótese biônica e retransmitidos na forma de
comandos eletrônicos que são entendidos como comandos motores”, explica.
Amanda Caliman, mora no interior do estado do Espirito Santo e
em 2005, aos 20 anos, sofreu um acidente de moto e teve metade da perna
amputada. Durante anos ela utilizou apenas uma muleta para se locomover,
mas atualmente usa uma prótese mecânica que permite que a jovem leve
uma vida normal e mais independente. “Minha prótese permite que eu sinta
apenas o impacto durante uma caminhada. Isso pode parecer simples, mas
poder caminhar sem muletas não tem preço, é emocionante”, afirma.

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