Rayane Saraiva
Não é apenas em época de eleição, durante o horário
político e nos debates da TV, que as divergências políticas são expostas. Na
internet, as redes sociais criam um espaço propício para que a população
manifeste, cada vez mais, sua opinião a respeito da política.
Um estudo realizado pelo instituto norte-americano de
análises, Pew Research Center, no início deste ano, revelou que as redes
sociais motivam usuários a participarem mais ativamente de atividades políticas.
O estudo entrevistou 2.255 adultos do país e concluiu que, para 57% dos
entrevistados, sites como Twitter e Facebook são usados por internautas para
mudarem o voto ou a opinião de amigos.
O que se observa é que devido
aos constantes escândalos envolvendo a esfera pública, os
cidadãos estão procurando seus perfis para espor insatisfações e cobrar
melhorias no setor governamental. Antes do advento da Internet, o que passava
na TV, rádio ou jornais impressos era discutido apenas face a face, mas
atualmente estas discussões foram trazidas para as redes sociais e ganharam
maior repercussão.
Segundo a funcionária pública, Elaisa Martins, é importante levar para as redes sociais as discussões sobre o
governo. Pois dessa forma, as ideias ganham maior visibilidade, permitindo que
as pessoas se aprofundem no assunto e se tornem mais críticas.“Eu nunca fui
muito de me envolver com política, porém as épocas mudam e percebemos a
necessidade de participarmos de alguma forma”, conclui.
Para o Jornalista, Nelson Tolledo, fica cada
vez mais evidente que os grupos utilizam a mídia para buscar enfrentamentos
políticos e reforçar enquadramentos que os beneficiem. “A internet
atua como um vírus, espalhando ideias que, de forma positiva ou negativa, acabam
infectando os indivíduos. Assim, ela influencia as pessoas e o desenrolar dos
fatos”, explica.
Estar online passou
a ter um significado mais amplo, com o advento dos telemóveis e tablets, pois
eles permitem que a população interaja 24 horas por dia com a notícia, a
qualquer momento e em qualquer lugar. Porém, apesar de todas as vantagens que esses
aparatos eletrônicos apresentam, as informações negativas, como os boatos, também
acabam sendo divulgados e propagados com mais rapidez.
Os Boatos Acerca do Governo Dilma
De acordo com a organização que promove os direitos humanos na internet,
Safernet, durante as eleições que aconteceram no ano passado, o número de
denúncias sobre crimes de ódio na internet triplicou nos dias próximos a votação.
Esse aumento seria decorrente da indignação de algumas pessoas com o governo da
atual Presidenta da República, Dilma Rousseff.
Após a reeleição, começaram a circular nas redes sociais,
como Twitter e Whatsapp, boatos que afirmavam que o governo confiscaria o
dinheiro das poupanças, como aconteceu durante o mantado de Fernando Collor, em
1990. Essas notícias se espalharam rapidamente colocando toda população em
estado de alerta e aumentando a tensão sobre o governo Dilma.
De acordo com a advogada Narjara Lessa, o fato desses
boatos terem aterrorisado tanto a população se dá, pois grande parte das
pessoas não conhecia a lei que proibe o Governo Federal de deter ou sequestrar bens, de poupança ou outro ativo financeiro.
“Isso quer dizer que mesmo que o presidente, por exemplo, queira confiscar o
dinheiro dos brasileiros, é improvavel que ele consiga”, explica Narjara.
Na época, o Ministério da Fazenda se manifestou em nota à
imprensa, informando que as notícias de confisco não procederiam, pois essas
informações não eram compativeis à política econômica de transparência e à
valorização do aumento da taxa de poupança da nossa sociedade.
A nota à imprensa pode ser lida na íntegra clicando aqui
Contudo, mesmo após os esforços do governo para explicar que tal fato não teria procedência, se instalou na sociedade um grande “mau estar”. Assim, as redes sociais, principalmente o Facebook, foram tomadas por eventos criados para levar, mais uma vez, a população as ruas. Esse “chamado” resultou nas manifestações do dia 15 de Março, em que parte da população pediu o impeachment da presidenta e anulação das Eleições 2014.




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